Durante o interrogatório na tarde desta terça-feira (10), o ex-presidente Jair Bolsonaro pediu desculpas ao ministro Alexandre de Moraes por declarações feitas no passado nas quais insinuava, sem provas, que integrantes do Supremo Tribunal Federal estariam envolvidos em corrupção durante as eleições.
A fala ocorreu após Moraes questionar diretamente Bolsonaro sobre uma reunião com embaixadores, na qual ele havia sugerido que ministros da Corte poderiam estar recebendo propina. “Quais eram os indícios que o senhor tinha de que nós estaríamos levando US$ 50 milhões, US$ 30 milhões?”, perguntou o ministro.
“Não tem indícios nenhum, senhor ministro. Tanto é que era uma reunião para não ser gravada. Um desabafo, uma retórica que eu usei. Se fossem outros três ocupando, teria falado a mesma coisa. Então, me desculpe, não tinha qualquer intenção de acusar de qualquer desvio de conduta os senhores três”, respondeu Bolsonaro, em tom mais conciliador.
A declaração foi feita diante dos demais ministros da Primeira Turma do STF, durante o sexto depoimento da série de interrogatórios dos réus apontados como integrantes do “núcleo crucial” da tentativa de golpe. Bolsonaro chegou ao plenário dizendo que poderia “falar por horas” se pudesse “ficar à vontade”.
Ao longo da oitiva, no entanto, manteve um tom mais contido, afirmando até mesmo: “Não achei nada” — em referência à negativa de Moraes ao pedido da defesa para exibir vídeos durante o depoimento.