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Cidades do extremo sul da Bahia exigem R$ 780 milhões de mineradoras responsáveis por tragédia de Mariana

Municípios de Caravelas, Nova Viçosa, Prado, Mucuri e Alcobaça afirmam sofrer com os impactos do rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, na cidade de Mariana, em Minas Gerais.

01/07/2025 às 09h18 Atualizada em 01/07/2025 às 09h25
Por: Redação
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Cidades do extremo sul da Bahia exigem R$ 780 milhões de mineradoras responsáveis por tragédia de Mariana

Cinco municípios do extremo sul da Bahia entraram com uma Ação Civil Pública (ACP) contra as mineradoras Vale, Samarco e BHP Brasil e exigem R$ 780 milhões de indenização das empresas. As cidades de CaravelasNova ViçosaPradoMucuri e Alcobaça foram afetadas pelo rompimento da Barragem de Fundão, propriedade da Samarco, controlada pela Vale e pela BHP, na cidade de Mariana, em Minas Gerais.

A tragédia ambiental, ocorrida em 5 novembro de 2015, provocou a morte de 19 pessoas e contaminou o Rio Doce.

Os municípios denunciam que foram excluídos da repactuação ocorrida em outubro de 2024 entre as empresas, governos estaduais, federal e instituições de Justiça. Em documento, ajuizado na Vara Cível de Nova Viçosa, na última sexta-feira (27), as cidades apontam que o novo contrato não considera as perdas e danos ambientais nos municípios baianos.

As gestões apontam que, nos últimos 10 anos, as cidades baianas sofrem com os impactos ambientais, mas não há previsão de qualquer medida reparatória.

Em resposta, a Samarco informou que não irá comentar o caso. Já a Vale pontuou que não foi formalmente notificada sobre a ação civil.

Estudos revelam impactos ambientais do rompimento da barragem no litoral sul da Bahia

 

O rompimento da Barragem de Fundão liberou cerca de 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos no leito do Rio Doce, que se estende até a Bahia. Na época da tragédia, os municípios litorâneos de quase toda a extensão do Banco dos Abrolhos — que compreende a foz do Rio Doce, em Linhares, no Espírito Santo (ES), até a foz do Rio Jequitinhonha, em Belmonte, no sul da Bahia — foram afetados.

Além de Linhares, os municípios de São Mateus e Conceição da Barra, ainda no ES, e Mucuri, Nova Viçosa, Caravelas, Alcobaça e Prado figuraram a lista dos mais afetados pela lama vinda de Mariana. Estudos realizados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em 2016, revelaram que os metais pesados encontrados na foz do Rio Doce, em Linhares, se espalharam até chegar ao litoral sul da Bahia.

O estudo verificou que os níveis de metais pesados como ferro, cádmio e chumbo estavam acima do limite permitido em lei na região do Parque Nacional de Abrolhos, localizado no município de Caravelas.

Uma pesquisa feita pelo professor e geofísico Heitor Evangelista, em 2019, com os corais do parque, aponta que os elementos químicos trazidos pela lama já refletem na estrutura desses organismos. Na ação civil, os municípios baianos apontaram que os metais pesados, ainda que invisíveis a olho nu, impactam diretamente na produtividade e dia a dia da população local.

prefeito de Caravelas, Doutor Adauto (PSD), informou que o município foi diretamente afetado pelos rejeitos vindos da barragem da Samarco. Além do Parque de Abrolhos, a cidade possui outras duas importantes Unidades de Conservação: a Reserva Extrativista do Cassurubá e a Área de Proteção Ambiental (APA) Ponta da Baleia/Abrolhos.

O Segundo o gestor, todas foram comprometidas com o desastre. "Atividades econômicas essenciais como a pesca artesanal, o turismo, o mergulho, a observação de baleias e até o banho de mar foram drasticamente afetados pela desconfiança em relação à qualidade da água e dos recursos marinhos", pontuou a gestão da cidade.

Também para mensurar os impactos socioambientais da tragédia, a prefeitura de Nova Viçosa realizou uma audiência pública para discutir a questão, em fevereiro de 2025. Segundo a gestão da cidade, pessoas atingidas relataram danos como a contaminação da água, perda da biodiversidade natural, assim como a perda da produtividade da atividade pesqueira.

Já em Mucuri, geograficamente o primeiro município baiano atingido pela lama vinda de Mariana, o prefeito Robertinho (União Brasil) destacou que o impacto na cidade não pode ser ignorado.

Novo acordo entre mineradoras e governo foi assinado em 2024

 

O acordo entre as mineradoras Vale, Samarco e BHP Brasil, os governos federal e estaduais e órgãos Jurídicos previu um valor total de R$ 170 bilhões para a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem. O montante incluiu os R$ 38 bilhões que já haviam sido investidos em outra ação de compensação.

➡️ Do valor determinado, R$ 100 bilhões devem ser pagos pelas empresas ao governo federal, em parcelas, ao longo dos próximos 20 anos. O recurso será encaminhado aos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, bem como os municípios afetados, para financiar programas e ações compensatórias.

➡️ Outros R$ 32 bilhões devem ser investidos em obrigações de execução da Samarco, incluindo medidas de indenização individual, reassentamento e recuperação ambiental.

A assinatura do documento foi divulgada pela própria Samarco, no dia 25 de outubro de 2024. A repactuação do acordo foi assinada no Palácio do Planalto, em Brasília, pela União, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, bem como Ministérios Públicos Federal e Estaduais e Defensorias Públicas da União e Estaduais (MG e ES), entre outros órgãos públicos.

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