
Um relatório recente da Fiocruz acende um alerta sobre a juventude brasileira: armas de fogo e acidentes de moto são hoje as principais causas de morte entre jovens no país. Os dados expõem uma realidade marcada por violência, desigualdade e falta de oportunidades, especialmente para os jovens negros.
Segundo o levantamento, entre os homens negros, a taxa de mortes externas — aquelas causadas por fatores como homicídios, acidentes e quedas — é 90% maior do que entre brancos. Para especialistas, os números não surpreendem: refletem os efeitos profundos do racismo e da exclusão histórica que ainda moldam o Brasil.
"Não é coincidência, é racismo estrutural", afirma a nota que acompanhou a divulgação do relatório, apontando como a juventude negra está desproporcionalmente exposta a contextos de risco, tanto pela violência urbana quanto pelas condições precárias de trabalho.
O uso da motocicleta, por exemplo, tornou-se uma alternativa para muitos jovens que buscam renda rápida — frequentemente como entregadores ou motoboys —, mas vem acompanhado de alto risco. Sem direitos trabalhistas garantidos e com jornadas exaustivas, esses trabalhadores enfrentam diariamente o trânsito perigoso das grandes cidades.
Diante desse cenário, foi protocolado na semana passada um Projeto de Lei que propõe cotas raciais em programas de primeiro emprego, como estágio e jovem aprendiz. A medida busca ampliar o acesso de jovens negros a oportunidades formais, com dignidade, proteção e perspectiva de futuro.
“É uma forma de abrir caminhos. Mas sabemos que esse ainda é só o começo”, destacou a autora do projeto. A proposta pretende enfrentar, ao menos em parte, os efeitos de uma sociedade que ainda não superou as marcas de sua herança escravocrata.
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