A decisão da Prefeitura de Teixeira de Freitas de criar a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, anunciada nesta semana, movimentou o cenário político local e provocou repercussões também no tabuleiro estadual. A medida, articulada pelo prefeito Marcelo Belitardo (União Brasil), alterou diretamente a correlação de forças dentro do governo municipal e, de quebra, atingiu figuras ligadas à base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
O impacto mais imediato foi sentido pelo secretário David Loyola (PSB), que até então comandava a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo. Com a mudança, a pasta perde a área de Turismo e passa a se dedicar exclusivamente ao desenvolvimento econômico. David, que também preside o diretório do PSB em Teixeira de Freitas, é irmão de Adolpho Loyola (PT), secretário de Relações Institucionais da Bahia e nome de confiança do governador.
Para liderar a recém-criada estrutura administrativa, o prefeito nomeou a primeira-dama, Penélope Bellitardo, que até então exercia a função de secretária de Cultura. Agora, com a incorporação do Turismo, Penélope amplia sua influência na gestão municipal, embora seu período à frente do cargo já tenha data para terminar: ela deve deixar a secretaria até abril de 2025, prazo limite para desincompatibilização de quem pretende disputar as eleições.
A primeira-dama é pré-candidata a deputada estadual, e adversários do prefeito têm criticado a decisão, afirmando que ela apenas irá “veranear” no cargo até o momento de sua saída.
A alteração na estrutura da administração municipal fragilizou David Loyola, que vinha exercendo papel estratégico na aproximação de Marcelo Belitardo com o governo estadual. A nomeação do irmão de Adolpho para a equipe municipal foi interpretada, à época, como um movimento de alinhamento do prefeito com a base de Jerônimo Rodrigues (PT), após Belitardo ter sido reeleito em 2024 com o apoio direto de ACM Neto (União).
A movimentação expõe uma trajetória marcada por reviravoltas políticas. Em 2022, o prefeito apoiou Neto na disputa pelo governo da Bahia. Já no pleito seguinte, recebeu o ex-prefeito de Salvador em seu palanque, mas, após vencer as urnas, reaproximou-se do grupo petista, incluindo a nomeação de David Loyola.
Nos bastidores, a expectativa é de que Marcelo Belitardo deixe o União Brasil nos próximos meses. Ele avalia possibilidades de migração partidária e não descarta um retorno ao PT, legenda à qual já foi filiado no passado.
Com a criação da nova secretaria, Belitardo reforça o protagonismo da esposa no cenário político e, ao mesmo tempo, redesenha as forças dentro de sua base. O movimento, no entanto, pode acirrar tensões entre aliados locais e estaduais, especialmente diante do enfraquecimento do espaço político do PSB no município.