Bahia SURUÍ PATAXÓ
Cacique preso suspeito de portar armas na Bahia é solto após dois meses
Welington Ribeiro de Oliveira, o cacique Suruí Pataxó, estava preso desde 7 de julho.
15/09/2025 09h22
Por: Redação

O líder indígena Welington Ribeiro de Oliveira, o cacique Suruí Pataxó, foi solto nesta sexta-feira (12) após passar mais de dois meses preso, suspeito de porte de armas e associação criminosa. Ele foi detido em 7 de julho em meio a uma ação conjunta entre a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança Pública, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia.

A prisão preventiva foi revogada por decisão da 1ª Vara Criminal da Comarca de Porto Seguro, que contestou o relatório policial das investigações sobre o suposto envolvimento do cacique com a organização criminosa conhecida como Anjos da Morte.

De acordo com a sentença, o documento não apresenta provas concretas da relação de Suruí com o grupo. Além disso, não há registros de comunicação entre ele e os suspeitos investigados por integrar a facção.

Suruí Pataxó é investigado por ter sido encontrado com diversas armas no momento em que foi abordado pelos agentes de segurança. Mas o juiz analisou que é desproporcional manter a prisão em regime fechado, já que os crimes dos quais o cacique é acusado imputam penas mínimas de um ano e em regime semiaberto.

Apesar de ter sido liberto, Suruí terá que obedecer algumas medidas cautelares estabelecidas pelo juiz. São elas:

 

  • comparecimento periódico em juízo, mensalmente, para informar e justificar atividades;
  • proibição de contato entre ele e os adolescentes que o acompanhavam no momento da prisão, bem como testemunhas do caso;
  • proibição de se ausentar da região sem prévia autorização judicial;
  • recolhimento domiciliar entre 20h e 6h e nos dias de folga.

Relembre a prisão

 

No dia 7 de julho, Suruí Pataxó foi encontrado durante um patrulhamento feito pela PF com a Força Nacional. Ele estava em um carro com outras três pessoas: um adulto e dois adolescentes, e transportava armas e munições. Na ocasião, foram apreendidas:

 

  • 1 pistola 9mm com numeração raspada;
  • 1 pistola calibre.380, também com numeração raspada;
  • 198 munições calibre 9mm;
  • 135 munições calibre.380;
  • 23 munições calibre.44;
  • 27 munições calibre 5.56 deflagradas;
  • 1 munição calibre 12;
  • 1 munição calibre.22;
  • 1 munição calibre.32;
  • 2 carregadores alongados calibre 9mm com capacidade para 31 disparos cada;
  • 4 carregadores calibre.380;
  • 1 coldre de pistola 9mm na cor bege;
  • 1 balaclava camuflada.

 

Por meio da Defensoria Pública da Bahia (DPE), o cacique argumentou que, enquanto liderança do Povo Pataxó, recebe muitas ameaças de morte devido aos conflitos na região, o que justificaria o porte de armas. Ainda que o líder indígena esteja incluído no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH/BA) — ação que visa proteger comunicadores, ambientalistas e defensores dos direito humanos ameaçados —, a argumentação não foi aceita pela Justiça.