
A Bahia enfrenta uma grave crise no sistema prisional, marcada por sete fugas registradas desde dezembro de 2024, que resultaram em 30 detentos foragidos — apenas cinco foram recapturados e um morreu. O caso mais recente ocorreu na terça-feira (21 de outubro de 2025), no Conjunto Penal de Feira de Santana, quando três presos fugiram após violar a grade da cela 29, no Pavilhão 10, sendo a segunda fuga no mesmo presídio neste ano.
A primeira fuga em Feira aconteceu em 25 de junho, também no Pavilhão 10, quando três detentos escaparam e foram recapturados horas depois em uma área rural do distrito de Humildes.
O episódio mais grave ocorreu em 12 de dezembro de 2024, no Conjunto Penal de Eunápolis, quando 16 presos fugiram. Apenas dois foram recapturados e um morreu em confronto com a polícia. O caso teve desdobramentos quando o Ministério Público denunciou a ex-diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, acusada de receber R$ 1 milhão para facilitar a fuga, o que levou a mudanças na cúpula da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) em julho de 2025.
Outras ocorrências foram registradas no Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, onde quatro presos cavaram um buraco na parede e fugiram em 7 de julho; um deles foi recapturado no Espírito Santo. Em Serrinha, dois detentos escaparam da delegacia local em 17 de outubro, cerrando as grades do teto da cela. Ambos eram acusados de estupro e organização criminosa.
Em Salvador, houve duas fugas no Complexo Penal da Mata Escura: em 23 de março, Edvaldo Firmo Dias, condenado por estuprar as próprias filhas, desapareceu após atividades externas; e em 10 de agosto, outro detento fugiu durante trabalhos de manutenção e segue foragido.
O presidente do Sindicato dos Policiais Penais da Bahia (SINSPPEB), Reivon Pimentel, aponta sucateamento das unidades de gestão plena, falta de investimento em tecnologia, e ausência de manutenção em grades e passarelas. Ele destaca que mais de 50% do orçamento da Seap vai para presídios cogestionados com empresas terceirizadas, enquanto as unidades sob gestão direta “estão se decompondo”.
Pimentel também denuncia a escassez de efetivo e ausência de sistemas de câmeras e bloqueadores de celular em presídios como o de Feira de Santana, onde um único policial penal chega a monitorar mais de mil presos. Segundo ele, não há apoio da Polícia Militar nas guaritas externas, o que agrava o risco e a insegurança para os servidores.
O conselheiro da OAB-BA, Henrique Arruda, especialista em políticas públicas e pesquisador do sistema prisional, reforça que o déficit de efetivo é o ponto mais crítico. Ele afirma que o Conjunto Penal de Feira de Santana precisaria de mil policiais penais, mas conta com pouco mais de 40. Cada plantão tem em média apenas 10 agentes para 10 pavilhões.
Arruda defende uma reforma estrutural e operacional dos presídios baianos, apontando que o concurso de 250 policiais penais realizado em 2024 é insuficiente. Ele menciona ainda que presídios como o Complexo da Mata Escura sequer têm muro de contenção, o que demonstra o estado precário da segurança penitenciária.
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