Brasil MINISTRO DO STF
Alexandre de Moraes teria buscado Galípolo para interceder pelo Banco Master, diz Malu Gaspar
Relatos sobre contatos de ministro com presidente do BC foram feitos por seis fontes diferentes; mulher de Moraes tinha contrato de R$ 130 milhões com o Master
24/12/2025 09h28 Atualizada há 5 meses
Por: Redação

De acordo com a colunista Malu Gaspar, do O Globo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Conforme a jornalista, ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.

Os relatos sobre as conversas foram feitos à equipe do blog por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC.

Na versão desses integrantes, Moraes fez pelo menos três ligações para saber do andamento da operação de venda para o BRB e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro.

Nessa conversa, de acordo com o que o próprio ministro contou a um interlocutor, ele disse que gostava de Vorcaro e, repetindo um argumento que o banqueiro usava muito, afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos.

Pediu, ainda, que o BC aprovasse o negócio com o BRB, que tinha sido anunciado em março, mas estava pendente de autorização da autarquia. Naquele momento, já se sabia em Brasília que havia um racha entre diretores do BC sobre decretar ou não intervenção no Master.

Galípolo, então, respondeu a Moraes que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB. Diante da informação, segundo os relatos, o ministro teria reconhecido que, se a fraude ficasse comprovada, o negócio não teria mesmo como ser aprovado.

Em 18 de novembro, enquanto a Polícia Federal prendia Vorcaro e outros seis executivos acusados de envolvimento com as fraudes, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master.

O escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, tem um contrato de prestação de serviços com o Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos a partir de janeiro de 2024, que renderia cerca de R$ 130 milhões no total.

O documento estipulava que a missão do Barci de Moraes Associados era representar os interesses do Master e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Congresso Nacional.

Mas, segundo informação prestada via Lei de Acesso à Informação pelo Cade e pelo BC, nenhuma das instituições recebeu qualquer pedido de reuniões, petições ou quaisquer documentos do escritório em favor do banco de Vorcaro.

Moraes nega pressão a favor do Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes divulgou, na noite desta terça-feira, uma nova nota a respeito dos encontros com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.

No texto, o ministro afirma que realizou, em seu gabinete, duas reuniões com o presidente do BC para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky. Segundo ele, a primeira foi no dia 14 de agosto, após a primeira aplicação da lei, no fim de julho; a segunda no dia 30 de setembro, após a legislação lei ter sido aplicada em sua esposa, em setembro.

A lei americana impõe restrições financeiras a pessoas estrangeiras acusadas de corrupção ou violação de direitos humanos. Moraes e a mulher foram alvos das sanções financeiras, em medida posteriormente revogada pelo governo dos Estados Unidos.

Observação: O governo dos Estados Unidos retirou na sexta-feira (12/12) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.
Publicada no site do Tesouro Americano, a decisão representou mais uma desescalada nas tensões entre EUA e Brasil, após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
 

Segundo a nota, o objetivo das reuniões foi analisar com os dirigentes das principais instituições financeiras do país “as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito”.

 

Pedido de impeachment na PGR

Damares Alves vai enviar ao PGR Paulo Gonet uma denúncia com pedido de impeachment e uma representação criminal contra Alexandre de Moraes. Vai também protocolar no Senado um convite para que o ministro explique na Casa as revelações feitas nesta segunda-feira por Malu Gaspar.

Tanto o pedido de impeachment quanto a representação criminal serão assinadas também pelos senadores Eduardo Girão e Magno Malta.

Na representação criminal os três senadores pedem à PGR que receba a denúncia e instaure um inquérito para apurar o que foi narrado na reportagem de Malu Gaspar. E, se for constatado o crime de advocacia administrativa, que o MPF imponha as devidas sanções penais. 

Em relação ao impeachment, Damares, Girão e Malta pedem que Gonet receba o pedido e que depois seja feita a análise de admissibilidade por Davi Alcolumbre.