Segurança pública, saúde, educação, cenário político. Esses temas, tão presentes no dia a dia do povo baiano, devem ganhar ainda mais destaque nos próximos meses, sendo amplamente explorados pelos grupos de governo e oposição até as eleições de outubro.
Dentro da base governista, hoje liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), o entendimento é de que o uso do legado político e de realizações das gestões petistas será o carro-chefe da campanha da reeleição do atual ocupante do Palácio de Ondina.
Aliados acreditam que a força do trio Jerônimo/Rui Costa/Jaques Wagner, com o portfólio de entregas estruturantes, a exemplo das intervenções urbanas em Salvador e nos demais municípios, e dos hospitais e escolas no interior. A chapa com os três petistas também é tida como um vetor para impulsionar candidaturas do partido, mesmo em um cenário de federação com PCdoB e PV, para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e Câmara dos Deputados.
O cientista político João Vilas Boas fez uma análise do que será usado como ‘carro-chefe’ dentro da campanha de Jerônimo, que terá os dois ex-governadores do PT como candidatos ao Senado, cenário que tem se consolidado nas últimas semanas.
Na avaliação do analista, que converge com o que é dito pelos aliados petistas nos bastidores, a tendência é que o bloco apresente como cartão de visita um “pacotão do que foi feito e entregue” até aqui, refutando também a tese de que as gestões já estão ‘desgastadas’.
A parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também deve ser usada novamente pelo grupo. A diferença, segundo alguns dos nomes consultados recentemente, é que o chefe do Planalto não é visto como o principal ator político do bloco para a disputa, que deve ser polarizada a nível regional.
Na contramão de Jerônimo e do grupo governista, a oposição, hoje liderada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao Palácio de Ondina, deve priorizar temas considerados sensíveis para a opinião pública.
A segurança pública será a principal aposta do bloco, mas temas como saúde e custo de vida da população devem também ser abordados.
Além do contexto de temas que serão explorados pelos grupos, existem também as discussões para as estratégias de cunho político. Na oposição, por exemplo, a reaproximação com o ex-ministro João Roma (PL), com quem havia rompido em 2022, é vista como essencial para fortalecer sua candidatura à sucessão estadual.
Pesa para os candidatos as mudanças no cenário eleitoral entre 2022 e 2026. Jerônimo, antes rosto desconhecido, agora terá julgado os quatro anos do seu governo.
Fora do ambiente de estratégias de campanha, os dois grupos traçam metas ambiciosas para as eleições de outubro. Dentro da oposição, a ideia é eleger ao menos um senador nas duas cadeiras em jogo.
Já para o governo, além das vitórias de Jerônimo, Jaques Wagner e Rui Costa, há o empenho para que a bancada governista seja ampliada na Alba, com a eleição de um número maior de deputados estaduais do PT.
Jerônimo e ACM Neto devem trazer mais detalhes de suas propostas e táticas para as campanhas em seus respectivos planos de governo, que precisam ser apresentados à Justiça Eleitoral no prazo estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).