Política BASTIDORES
Lula amplia articulações no centrão, avalia troca de vice e tenta afastar MDB de Flávio Bolsonaro
Em síntese, a estratégia de Lula parte da avaliação de que apenas cerca de 10% do eleitorado ainda está em disputa.
08/02/2026 11h43
Por: Redação

O presidente Lula (PT) iniciou uma ampla articulação política com foco na reeleição, atuando em duas frentes principais: ampliar ao máximo sua aliança partidária e, ao mesmo tempo, isolar seu provável adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A primeira frente envolve afastar os partidos do centrão de um apoio formal a Flávio Bolsonaro. Lula busca, sobretudo, neutralidade nacional dessas siglas, permitindo que diretórios estaduais e lideranças locais tenham liberdade para se alinhar a ele. Um exemplo foi a conversa com Ciro Nogueira (PP), que sinalizou a possibilidade de neutralidade do partido em troca de apoio à sua reeleição ao Senado no Piauí. No Nordeste, onde Lula é mais forte, parlamentares do PP já consideram praticamente certa a liberação para alianças locais com o petista.

Além disso, Lula tenta atrair lideranças do União Brasil, especialmente no Ceará, onde o ministro Camilo Santana atua para impedir que o partido apoie Ciro Gomes (PSDB) na disputa estadual. Para Lula, é estratégico derrotar Ciro e garantir a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).

Esses movimentos ganham importância com a criação da federação União Progressista (PP + União Brasil), que, se confirmada pelo TSE, formará a maior bancada da Câmara. Sem a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, que optou por tentar a reeleição em São Paulo, esse bloco passou a priorizar o fortalecimento no Congresso, abrindo espaço para acordos regionais com Lula.

A segunda frente, mais sensível, envolve uma tentativa de atrair o MDB para a aliança formal, o que poderia exigir a substituição do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A entrada do MDB garantiria mais tempo de TV e reforçaria o discurso de “frente ampla”, usado por Lula em 2022. No entanto, essa estratégia envolve riscos: Alckmin deseja permanecer na chapa e diretórios importantes do MDB, como os de São Paulo e do Rio Grande do Sul, resistem à aliança com o PT.

Hoje, o MDB está dividido: 17 diretórios estaduais estariam afastados de Lula, enquanto 10 se aproximam do governo. A cúpula do partido também dialoga com o PSD, que possui três pré-candidatos à Presidência. Lula já discutiu a possibilidade de aliança com os senadores Renan Calheiros e Eduardo Braga, que defendem que a única forma de convencer o MDB seria oferecer a vice-presidência.

Há três nomes cotados para essa vaga: Renan Filho, Helder Barbalho e Simone Tebet. Tebet, porém, é vista principalmente como possível candidata ao Senado por São Paulo, embora enfrente resistência do MDB paulista, que apoia o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas. Mesmo assim, aliados tentam viabilizar uma candidatura dela mantendo o apoio a Lula sem mudança de partido.

Lula tem adotado sinais ambíguos sobre Alckmin. Em um momento, afirmou que o vice teria “um papel a cumprir” em São Paulo, o que foi interpretado como incentivo para que ele concorra a outro cargo. Dias depois, porém, fez elogios públicos a Alckmin durante o aniversário do PT, destacando sua importância e proximidade, numa tentativa de manter a relação política e pessoal.

Paralelamente, Lula se aproxima de outras lideranças do centrão, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que atua como articulador entre o Planalto e diferentes partidos, inclusive intermediando reuniões importantes. Lula também sinalizou tolerância com partidos que, mesmo ocupando ministérios, lancem candidatos próprios à Presidência — recado direcionado especialmente ao PSD.

Em síntese, a estratégia de Lula parte da avaliação de que apenas cerca de 10% do eleitorado ainda está em disputa. Por isso, o presidente aposta em alianças amplas, acordos regionais e neutralizações estratégicas para somar forças, minimizar adversários e maximizar suas chances de reeleição.