Brasil ESCALA 6X1
Empresários preparam contra-ataque ao fim da jornada de trabalho 6x1
Associações empresariais também preparam estudos, campanhas publicitárias e pesquisas de opinião para rebater a proposta.
23/02/2026 10h25
Por: Redação

Associações empresariais, empresários e frentes parlamentares articularam um plano para tentar frear o fim da jornada de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso). A estratégia envolve três frentes: adiar a votação para depois das eleições, produzir estudos e campanhas destacando impactos negativos da mudança e apresentar alternativas, como a desoneração da folha de salários, a redução gradual da carga horária semanal ou a remuneração por hora trabalhada.

O tema ganhou força após o governo Lula anunciar o envio de um projeto ao Congresso e o presidente da Câmara, Hugo Motta, assumir a tramitação da PEC apresentada pela deputada Erika Hilton, que prevê dois dias de folga semanais. Empresários avaliam que, pelo apelo popular, a proposta tende a avançar no primeiro semestre e, por isso, defendem postergar a votação.

Entidades como a Confederação Nacional dos Transportes e a Confederação Nacional da Indústria defendem que o debate seja técnico e desvinculado do calendário eleitoral. A estratégia inicial será alongar a discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com pedidos de audiências públicas e, depois, negociar mudanças em comissão especial.

Entre as alternativas discutidas estão a redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais até 2030, sem limitar os dias trabalhados, a adoção de jornada flexível com pagamento por hora e a desoneração da folha para compensar custos extras. Parlamentares ligados ao setor produtivo afirmam que o fim imediato do modelo 6x1 pode elevar custos, aumentar a informalidade e pressionar preços e salários.

Associações empresariais também preparam estudos, campanhas publicitárias e pesquisas de opinião para rebater a proposta. A Abrasel estima, por exemplo, que bares e restaurantes teriam aumento de até 20% nos custos e repasse de cerca de 7% nos preços ao consumidor. Para empresários, o Congresso ainda precisa avaliar se este é o momento adequado para reduzir a jornada, diante da falta de mão de obra em diversos setores.