
Mesmo ocupando a terceira posição no ranking de rodovias com mais acidentes na Bahia, a BR-101 registra, há dois anos consecutivos, o maior número de vítimas fatais entre as estradas federais que cortam o estado. De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram 314 mortes entre 2024 e 2025, sendo 167 em 2024 e 147 em 2025 — o equivalente a uma morte a cada três dias nesse período.
A BR-116, que lidera em número de acidentes no estado, contabilizou 2.043 ocorrências nos dois anos analisados, seguida pela BR-324, com 1.873, e pela BR-101, com 1.811 registros. Apesar disso, a BR-116 teve 273 vítimas fatais, número inferior ao registrado na BR-101.
Um dos acidentes mais graves ocorreu no fim de 2025, quando 11 pessoas morreram após uma colisão frontal entre uma minivan e uma caminhonete, em um trecho da BR-101 no município de Mucuri, no Extremo Sul da Bahia, próximo à divisa com o Espírito Santo. Entre as vítimas estavam crianças, adultos e idosos, integrantes de duas famílias.
Segundo a inspetora da PRF Fernanda Maciel, as características estruturais da rodovia são um dos principais fatores de risco. Grande parte da BR-101 na Bahia possui longos trechos de pista simples, o que aumenta a possibilidade de ultrapassagens perigosas e invasões de contramão.
Dados do Guia CNT de Segurança nas Rodovias Brasileiras 2026, da Confederação Nacional do Transporte, indicam que um dos trechos mais letais do estado está entre os quilômetros 950 e 960 da BR-101, no Extremo Sul da Bahia, onde foram registrados quatro acidentes e dez mortes em 2025. Outro ponto crítico fica na BR-242, entre os quilômetros 260 e 270, na região da Chapada Diamantina, com dez mortes no mesmo período.
Outros trechos considerados perigosos incluem áreas das BRs 116, 110, 324 e 242, com registros de acidentes fatais em cidades como Feira de Santana, Santa Bárbara, Ribeira do Pombal, Teixeira de Freitas, Mucuri, Cândido Sales, Seabra e Riachão do Jacuípe.
Um estudo da Fundação Dom Cabral (FDC) aponta que os acidentes estão relacionados principalmente à infraestrutura das rodovias e ao comportamento dos motoristas. A pesquisa mostra que 88% dos acidentes de alta gravidade ocorrem em pistas simples, enquanto rodovias duplicadas apresentam menor taxa de severidade.
Em 2025, as rodovias federais que cortam a Bahia registraram 2.845 acidentes, que resultaram em 463 mortes e 966 pessoas feridas. As principais causas foram colisão transversal (20,6%) e colisão frontal (19,45%), geralmente associada a ultrapassagens em pistas simples.
Apesar de uma leve redução no número de acidentes em relação a 2024, quando foram registradas 2.892 ocorrências e 508 mortes, especialistas alertam que os números ainda são elevados e exigem atenção das autoridades e dos condutores. O levantamento também aponta que a maioria dos acidentes acontece durante o dia, contrariando a percepção comum de que a falta de visibilidade à noite seria o principal fator de risco.
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