Abril chega com um aviso direto ao bolso: a conta de luz vai ficar mais cara em boa parte do Nordeste. Consumidores atendidos por distribuidoras na Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Pernambuco já têm data marcada para sentir o reajuste — e ele pode ser mais pesado do que a própria inflação do país.
A estimativa é da Agência Nacional de Energia Elétrica, que projetou, ainda em março, um aumento médio de 8% nas tarifas em 2026.
Os reajustes atingem clientes de diferentes distribuidoras da região:
Além deles, consumidores de Alagoas também devem enfrentar aumento, previsto para o dia 3 de maio.
O percentual estimado pela Aneel chama atenção por ficar bem acima da inflação oficial projetada para o país. Segundo o Banco Central do Brasil, por meio do Relatório Focus divulgado na segunda-feira (6), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar em 4,36%.
Ou seja, a energia pode subir quase o dobro do ritmo geral dos preços.
Um dos principais responsáveis pelo aumento é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um encargo incluído na tarifa de luz. Em 2026, a previsão é de que esse fundo arrecade cerca de R$ 52,7 bilhões.
Esse valor financia uma série de subsídios, como:
Havia expectativa de um alívio nas contas, caso fossem distribuídos recursos do chamado Uso do Bem Público (UBP), uma espécie de compensação paga por hidrelétricas.
A medida poderia reduzir em até 10% as tarifas no Nordeste, mas a decisão foi adiada após pedido de análise do diretor da Aneel, Gentil Nogueira. Com isso, dificilmente haverá definição antes das reuniões que vão discutir os reajustes neste mês.
O aumento anual segue uma lógica padrão: as distribuidoras apresentam seus custos, que são corrigidos por índices de inflação dos últimos 12 meses, como IGP-M ou IPCA.
Além disso, entram na conta:
A palavra final é sempre da Aneel, que define o percentual em reuniões de diretoria. Normalmente, o reajuste passa a valer na data de aniversário da concessão de cada empresa.
O impacto vai além da conta de casa. O aumento da energia afeta diretamente toda a economia — do pequeno comércio à indústria, passando pelo agronegócio e setor de serviços.
Na prática, energia mais cara significa custo maior para produzir, vender e consumir — e isso acaba pressionando ainda mais a inflação no país.
Na tentativa de conter esse efeito, o governo federal chegou a adiar decisões sobre reajustes de outras distribuidoras, como CPFL Santa Cruz e Energisa em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Também está em estudo uma alternativa para ajudar as empresas a absorver parte dos custos da energia, que vêm subindo desde o fim do ano passado.
Mas há um histórico que preocupa: em experiências anteriores, como no governo de Dilma Rousseff, esse tipo de intervenção acabou gerando aumentos prolongados nas tarifas para compensar os empréstimos feitos ao setor.